Auto retrato

Acordo, e ao olhar para o espelho, vejo um ser sem rosto. Dias diferentes, as mesmas incógnitas. Quem sou eu?
Dizem que tenho o rosto com sardas da minha mãe, olhos castanhos, quase negros do meu pai, mas o que será verdadeiramente meu? Cada fio de cabelo castanho que cai sobre a minha pele clara parece nada significar na minha, e só minha descrição.
Para mim, tudo é enevoado! Não me conheço, não sei como me auto retratar. Vejo um estranho no vidro e falta o reflexo do que sou por dentro.
hoje perguntam-me "Quem és?" e respondo, desprevenida, que sou alguém. alguém que já viu a auto estima como pecado, tem sempre medo de dizer a coisa errada, e preocupa-se demais com o que os outros pensam dela. Alguém que se afastou do mundo e viveu dentro de uma caixa de papel e tinta. Na verdade, alguém que não viveu, sobreviveu.
Com o tempo, deixei de ouvir! as vibrações do que me envolvia tornavam-se mais fortes e as opiniões dos que me cercavam passavam através daquela que viveu duas vidas.
Procuro ser amigável, responsável e dada às artes do saber, mas ninguém se deve admirar se disser que também sou solitária. Poucos ou nenhuns precisam da minha história para enriquecer a sua.
A minha vida, ou melhor, existência, resume-se à procura: não do que quero ser, não do que aprendi a ser, mas do que sou sob aquilo que me foi impingido.

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