A minha ruína.

Sempre fui do género de pessoa que adora o potencial de uma página em branco...e essa foi a minha ruína.
Os mais diversos (e justificados) receios atormentam-me de madrugada e cada tentativa de criar algo novo acaba numa inexorável frustração. Cheguei mesmo a odiar-me por me dar sequer ao trabalho, e não posso dizer que esse sentimento tenha desaparecido por completo. Tenho medo de tentar e falhar...tenho medo da ridicularização...tenho medo do desespero que uma recusa pode suscitar em mim...e quanto mais escrevo melhor compreendo que a palavra que procuro não é "medo", mas sim "repulsa".
Repulsa-me o comportamento dos meus iguais, sempre à espera do nosso falhanço, do nosso deslize...repulsa-me aquela ideia (já enraizada na minha cultura) de que sucesso é instantâneo, previsível, calculável...repulsa-me...não, pensando bem, enfurece-me...que sempre que eu tento criar, ser, ou simplesmente parecer algo diferente, exista alguém (ou alguns) sempre pronto a destacar o quão vulgar eu realmente sou, e o quanto o "igual" se assemelha a "correto".
Mil e uma coisas passam-me pela cabeça quando escrevo e fujo do tema (maldição para quem, como eu, se diz assertivo), mas a realidade é esta: venero de tal modo o potencial de uma folha em branco que sempre encarei a tentativa de dactilografar estes (de certo modo) desequilibrados pensamentos como um crime...até hoje.

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