Experiências

      Muitos veem a minha idade como a "idade de descoberta", a idade em que se cometem as mais completas loucuras, às quais se seguem os mais profundos arrependimentos, mas das quais se podem retirar valiosas lições (segundo me dizem).
      Pois...tenho uma história para vocês...
      Primeiro, vou deixar uma coisa muito clara: a minha definição de "TURISMO" inclui longos passeios sem direção, novas experiências, situações peculiares, momentos marcantes, comida incomum, boas vibrações e ainda melhor companhia.
      Posto isto, quando me convidaram para ir à capital fazer "turismo" nunca esperei viver uma situação tão nos antípodas daquela que idealizei.
      Planos a mais, experiências a menos...um autêntico cliché! Ele quer restaurantes caros e noites curtas, eu quero culinária caricata que só se encontra nas ruas e as luzes e cores da madrugada. Ele planeia, eu invento. Ele quer museus e palácios, eu quero estradas e parques.
      Ele é (era) o meu melhor amigo, por isso cedi (relutantemente) em algumas situações...no entanto, quando chegou a hora das minhas preferências, vi-me abandonada numa cidade desconhecida (POR DUAS VEZES), porque o menino se sentia muito cansado ou pura e simplesmente desinteressado, não podendo esperar 10 minutos pela pessoa que com ele andou 24 horas a fazer o que detesta. Eu fui vista como uma criada e não como uma companheira de viagem. Eu carregava as compras e malas, eu arrumava as roupas e demais artigos, eu seguia o rapaz (que se coroara Guia), até que me fartei.
      Felizmente, havia feito planos com um familiar...um dia longe do menino mimado, egocêntrico, megalómano, nefelibata, prepotente, pedante, snobe e arrogante em que o meu mais antigo e querido amigo se havia tornado sem eu me aperceber. Com o meu primo corri a cidade, com ele desabafei, com ele ri, com ele senti-me outra. Sem estar constantemente a ser alertada para os perigos (prováveis, improváveis e impensáveis) de uma cidade grande (função esta que o meu colega desempenhou com demasiado afinco) pude desfrutar de uma tarde de verdadeiro turismo.
      Não posso dizer que a experiência foi um total fracasso, pois nessa mesma tarde ajudaram-me a chegar a duas coisas:
            1ª a individualidade do meu amigo havia sido perdida há muito e não havia nada que eu pudesse fazer por ele dado o estado de negação em que se encontrava;
            2ª mesmo nas piores situações podemos viver os mais bonitos episódios, e por isso, R, estar-te-ei para sempre agradecida.

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